Porque era ele, porque era eu
Porque
era ele, porque era eu
Bastou para
Michel de Montaigne,
numa frase que
não é qualquer,
explicar as
razões de uma amizade:
Porque era
ele, porque era eu.
Numa profunda
epifania,
regada de
canções e poesias,
a mágica
acontecia.
Quantas
madrugadas foram precisas
até o completo
frenesi?
Muitas?
Nenhuma?
Não sei dizer.
Porque era
ele, porque era eu.
E essa frase
tão antiga,
que agora
quase me esvazia,
me liberta e
me domina.
Não havia mais
nada.
Havia os dois.
Duas almas.
Dois seres.
Dois corpos.
Duas chamas.
Havia um único
lugar,
um único
desejo:
o desejo de
ser e de existir em si mesmo.
Únicos.
Como cada um.
Sem medo de
ser quem se é.
Sem receio de
existir de forma singular.
Porque era
ele, porque era eu.
E, num
profundo saber pertencer,
numa entrega
genuína,
o prazer se
reconheceu.
E pulsa.
Será que me
recusa?
Nunca.
Nunca existiu
toque assim.
Visceral.
Carnal. Espiritual.
Fatal.
Me acusa?
Nunca me
julgou.
Sou entrega
nesse existir.
Me entrego à
alma.
Recebo a
calma.
Me faço vil.
Sou posta à
prova.
Pouco importa.
Lambuza.
Me usa.
Me espreita.
Respeita.
Sou traço
fácil nesse emaranhado.
Como diria um
outro poeta…
Com você é
tudo muito fácil!
E que entenda
quem um dia
puder se
deliciar de algo assim...
Porque era
ele, porque era eu.
Só porque era
ele, só porque era eu.
O encanto,
enfim, aconteceu.
Fernanda
Colcerniani
Janeiro 2024
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"Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas." CL