segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Soneto do Amor Que Ele Não Vê

Tu vives no refúgio do receio,

Guardado pelas grades da razão,

E eu, que trago o peito em devaneio,

Te vejo só na sombra da ilusão.


Meu amor é real, mas não te alcança,

Pois tua alma se esconde do sentir;

E cada vez que foges da esperança,

Meu sonho sangra, prestes a partir.


Se soubesses que és toda a minha espera,

Que meu viver sem ti é tão vazio,

Talvez deixasses tua angústia austera.


Mas fico aqui, nas margens do estio,

Enquanto clamo, muda, à primavera

Que desate o gelo do teu frio.


Fernanda Colcerniani

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"Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas." CL