Tu vives no refúgio do receio,
Guardado pelas grades da razão,
E eu, que trago o peito em devaneio,
Te vejo só na sombra da ilusão.
Meu amor é real, mas não te alcança,
Pois tua alma se esconde do sentir;
E cada vez que foges da esperança,
Meu sonho sangra, prestes a partir.
Se soubesses que és toda a minha espera,
Que meu viver sem ti é tão vazio,
Talvez deixasses tua angústia austera.
Mas fico aqui, nas margens do estio,
Enquanto clamo, muda, à primavera
Que desate o gelo do teu frio.
Fernanda Colcerniani
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"Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas." CL