Ser professor no Brasil é travar uma eterna luta entre o bem dos outros e o nosso próprio bem. Quando escolhemos uma profissão levamos em consideração vários aspectos e um dos fatores de maior relevância é o rendimento financeiro que essa profissão poderá te proporcionar. Contudo, quando o indivíduo escolhe ser professor, ele abraça juntamente com essa escolha a certeza de eterna pobreza. Escolher ser professor é quase como escolher ser padre, você precisa fazer votos, dentre esses votos inclui o inquestionável e o mais necessário: o voto de pobreza.
Não é por acaso que nos tempos atuais os jovens, em sua maioria, passam longe dos cursos de licenciatura. Os cursos de Letras, Matemática, Química, Física, História e Geografia estão destinados a fechar as suas portas por falta de estudantes, as faculdades particulares já não fazem mais vestibular para os cursos de licenciatura, não há inscritos, não há procura, não há lucro. Quem em sã consciência optaria por ser professor no Brasil? Apenas alguns poucos loucos... Loucos que mesmo sabendo do salário defasado, das condições de trabalho precárias, da desvalorização da educação e do profundo desrespeito das autoridades e da sociedade por essa profissão, optaram por serem professores. No entanto, ainda que se tenha feito essa opção, não assinamos nenhum termo de conformação com a atual condição da educação no país e tampouco fizemos voto de pobreza perante Deus ou perante os homens. Por isso ainda há luta. Ao contrário dos padres, o professor não possui casa paroquial e nem recebe dízimo de seus “fieis” alunos. O professor possui necessidades básicas, mas não é sustentado pelo Estado ou Município.
Professor precisa ser mestre, ser gênio, encara salas de aula lotadas, desinteresse e desrespeito dos alunos, a falta de material adequado. É um dos poucos profissionais que leva pilhas de serviços para casa, além disso, precisa se atualizar, fazer cursos, pensar numa forma ou numa fórmula de prender a atenção do aluno e claro, aprender a viver com o mínimo que lhe é oferecido.
Você optaria por ser professor? Pense bem! Claro que não... Não há como pensar em se desfazer do conforto de sua casa própria, do seu carro do ano, do seu salário confortável e de suas viagens periódicas. Como manteria esse padrão de vida sendo apenas mais um professor? Não manteria e não alcançaria tal conforto.
Eu apenas quero que as pessoas entendam que antes de amar ser professora, eu também sonho tem ter bens materiais e sonho com uma vida confortável. Apesar de conhecer as atuais condições da profissão, não me conformo com ela e possuo o direito e o dever de lutar para que haja melhoria salarial para a categoria, até mesmo para que futuramente a carreira de professor possa ser novamente idealizada pelos jovens.
É realmente lamentável perceber que a sociedade reafirma a ideia de que professor tem que aceitar calado tudo o que lhe é imposto, que professor tem que trabalhar por amor apenas, que professor que não está satisfeito deve procurar outra coisa para fazer. A carreira do professor está falida e talvez quando não existirem mais esse profissional, a sociedade passe a valorizar e respeitar a papel do educador na sociedade.
Concordo com você, Fernanda! Realmente, neste país, o trabalho do professor nunca foi valorizado. Fui professor durante vários anos. Foram muitas as lutas, mas pouquíssimas melhorias.
ResponderExcluirSEMEADOR
"Educar é uma arte.
E o grande artista semeador
Desta arte
É o professor.
Como no Brasil,
Nenhum tipo de arte tem valor,
Não é reconhecido nem valorizado
O trabalho do professor."
(Poema de Hevérton Duarte, em o MAL DA DÉCADA)
Abraços.
Correção:
ResponderExcluirO nome do escritor, autor do poema SEMEADOR, é Héverton Duarte (e não Hevérton Duarte).
Obrigado pela visita ao www.janeladescoberta.blogspot.com !
ResponderExcluirNossa triste realidade... Infelizmente professor vive tentando sair da área... É lastimável.
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